poesia
BOCAGE
Nasceu, tal como eu, a 15 de Setembro. Fez ontem 243 anos. Aqui fica registada a minha homenagem.
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão n'altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo de níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incansador de mil deidades
( Digo de moças mil) num só momento
E somente no altar amando os frades;
Eis BOCAGE, em que luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.
Manuel Maria Barbosa du Bocage

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão n'altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo de níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incansador de mil deidades
( Digo de moças mil) num só momento
E somente no altar amando os frades;
Eis BOCAGE, em que luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.
Manuel Maria Barbosa du Bocage
Duas anedotas deste poeta
1.
Durante uma festa uma Srª descuidou-se e abriu-se largando fétido cheiro. Ao ver a Srª muito encarnada e aflita, veio em seu socorro gritando:
" Meus Sr.s! O peido que esta Srª deu, não era dela, era meu.
2. Diz a lenda que, um dia ao chegar a casa Bocage sentiu um barulho estranho no seu quintal. Chegando lá constatou que se tratava de um ladrão tentando levar os patos de sua criação e disse-lhe:
- " Oh bucéfalo anácromo! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos meus bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito do meu habitáculo levando meus ovíparos à sorreifa e à socapa. Se fazeis isso por necessidade, transijo... mas se é para zombares da minha muito elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina NADA.
E o ladrão, confuso respondeu:
- "Doutor, afinal sempre levo ou deixo os patos?"
Etiquetas: homenagens
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