segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

poesia

De autor desconhecido

SONHO DE NATAL

Nas lajes de uma nave fria
Em noite de Natal adormeci
Música diáfana subia
Paz de Natal descia sobre mim.

Não tinha aconchego nesta vida
Só cardos se espalhavam no caminho
Não tinha lar nem lume nem calor.
E numa prece muda de fervor
Juntei as mãos vazias de carinho.

No presépio a Virgem sorria-me distante
“Senhora, que tendes para dar ao caminhante
tão cansado, tão roto, tão faminto ?”
A luz da estrela refulgiu mais forte
Nova directriz, um novo norte ...
E ao inclinar seu rosto divino
Murmurou: “Estou cansada, ajuda-me!”
Estendeu os braços e depôs nos meus
O corpo rechonchudo e róseo do Menino.

Cumpriu-se o sonho dessa noite branca
E aqui estou eu, seguindo o meu destino
Às ordens da Senhora.

Em cada criança que tenho que ensinar
Vejo o Menino que tenho de embalar
Enquanto for descansar a sua Mãe.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

poesia



em Pico minha ilha (15/12/2008 17:20:26)


Este Natal queria um presente
Grande em amor amizade e união

Queria um mundo diferente

em que todos tivessem pão casa, família e carinho

Queria olhar e simplesmente

não ver ninguém a sofrer, não ver armas, nem dor

Neste nosso mundo de ódio

de miséria e rancor

Queria um dia acordar e dizer:

este é o mundo que sonhei para ti e para mim

para nós e para vós para os meus filhos e para os teus

Só queria um Natal bem diferente em que todos sem igual

um dia fossemos todos gente, sem raça sem cor

Queria um presente num mundo diferente onde só exista amor ,
Pico minha ilha.
De um autor brasileiro muito conhecido.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Em cruz

Em cruz abraço e vivo aquele que nasceu, aperto os sons de línguas vivas, decoro os sorrisos e as lágrimas, conservo o vento e a luz deste solar.

Em cruz penso união de seres e vidas, descubro pareceres, desejo agoras, contemplo abraços, alargo vistas, abraço o vivo e aquele que nasceu.

Em cruz vislumbro interiores de mim, do mundo colho flores, sinto o que sou no que me imagino, apanho universo em concha manual e,

Em cruz agradeço ternuras infindas, misturo cores de largas paletas, combino todas, invento uma e descubro, em mim, tela que não sou.

08.12.17

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

poesia

97.02.02


Murmúrio de fonte... convívio de gente
na mão uma bilha... um gesto contente

Conversa abafada... um beijo trocado
receio do mundo... idílico fado

Murmúrio de fonte... silêncio vivido
onde a alegria cála o meu sentido

Conversa abafada sem interesse algum
ondeo tudo e o nada comunga jejum

Já era... já foi... a medo trocado
o gesto contente de um beijo roubado.

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Poesia

AQUI ESTOU

...de maravilha encantada, de sorrisos cerrados,de saudades vividas...

quando o dia pinta a serra, quando a planície é só verde, quando a noite teima e cai...

ao sabor de um sofrimento, ao sorver da solidão,ao gargalhar de infortúnio...

aqui estou!
agora e sempre e nesta hora, agora inventando este murmúrio, agora correndo, parando,

agora, Aqui Estou.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Abraço


Foto cantodocarlos

Na vontade de um abraço, a distância
que o céu encurta ou alonga em voo
que o destino branco fez ou azul pintou.

No desejo de um abraço, a distância
que dois braços unem ou afastam num golpe
que de amante era ou vida tornou.

Num ímpeto de um abraço, a distância
que de parouvelar alguém me diz que és tu
que o céu encurta ou me afasta em golpe.

Na veleidade de um abraço, a distância
será traço de união.

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terça-feira, 12 de agosto de 2008

SE

No maracujá licor que te propus beberes
Eu desejei saber tua intenção
Jogou contigo meu maracujá licor
pois me segredou assim:
- Não sei... não sei...
não posso...
Será melhor tu não saberes.






Hoje

Se tinto bebesse
e tonto ficasse
Se pinto nascesse
de um ponto amarelo
Se vindo viésse
no dongo marinho
Se lindo sonhasse
no longo caminho
Se o quinto se risse
impondo juízo
Se o minto julgasse
no ronco da fera
O cinto do mundo
era monte de verde
E rindo e sorrindo
tonto de sono
Vida seria no limbo mundano
Do bombo terreno.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Ilha

Manhã no Cais

Desci ao cais para ver um tom de verde azulado

por todo o mar transportado e à terra oferecido.

Desci ao cais para ver o verde nas rochas negras

o fresco ar da manhã, o sal de longe sentido.

Desci ao cais para ver baía de tal beleza

de tal encanto e certeza que julgo ir acordar.

Desci ao cais para ver a vida a querer começar

a bica de pé tomar, a calma deste viver.

No dedilhar da conversa, no conto que aqui desperta

Desci ao cais para ver.

Fonseca In " ILHA" 1996

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Dizer: felicidade
a rara pedra ardida
as amoras
o teu nome, vagarosamente.

Penso: há um lírio aberto nos teus olhos
uma rosa de espuma
um manto de outro verde
outro mundo.

Escutar o vento, a lenta alegria dos barcos
Aprender a gramática do fogo
o perigo de, na terra luminosa, inventar
um nome, o teu.


Fabião In " Na Orla da Tinta" 2001

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ILHA




ILHA
Rio de pedra: verde a sua água...
Chove quando chove... e chove sempre.
Vulcão um corpo, teu corpo ó ilha!
Com as tormentas
acabaram as lendas, as histórias:
Só o passado é hoje
o que de boca em boca e gesto em gesto
o povo acorda na memória...
Não pode a ilha que é de pedra
só de pedra
ser gente só de gente?
Rio de pedra
terra alta nuvem dura
caindo sobre o mar.
DE: Armando Cortes Rodrigues

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Poesia popular jorgense Açores

Saudades.... E lembrando a Alcinda neste Paraíso

O MAR


Nas ondas do teu cabelo
Hei-de deitar-me a afogar
Pois quero que o mundo saiba
Que há ondas sem ser no mar.

Andam as ondas do mar
Em constante vai e vem;
Assim são esses teus olhos,
Que não pousam em ninguém.

O mar, quer bravo quer manso
deita cachões ao revesso;
Nesses teus braços, meu amor,
Sem ter sono eu adormeço.

O mar já bate na barra;
As ondas na calçaria,
E o meu coração já bate
Nesse teu peito Maria.


Nota: Retirado do livro " O NOSSO FALAR ILHÉU" de Olímpia Soares . Uma jorgense colega e amiga.

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De: António Feijó


HAMLÉTICA


Tenho aqui neste dedo o teu anel, Maria

Adelaide Pereira!

Doce recordação desse inefável dia

Em que eu beijei teu rosto lívido de freira.


Teu rosto lívido de freira... Ah! Que poesia!

Na angústia derradeira

Quando eu me separei dos teus braços

Maria Adelaide Pereira!


Ouço-te ainda: _ " A tua pálida Maria

Adelaide Pereira,

louca de dor, é freira de sonho e nostalgia

vai para o claustro! Hamlet! Ofélia é quase freira..."


Demos, então, as mãos... surdo rumor se ouvia.

Do bobo Yarik ria a singular caveira!

E ria-se de nós, do nosso amor, Maria

Adelaide Pereira.


É forçoso partir... Adeus Maria

Adelaide Pereira!

Os teus nomes que têm mistério e liturgia,

Hei-de tê-los na boca a minha vida inteira!


Lembro-me bem, era sol posto, o céu violáceo,

E, sobre a areia, a espreguiçar-se, o Lima...

Com que tristeza tu disseste: _ " Adeus Inácio

D'Abreu Lima!"


Nota: António Feijó, viveu entre 1859 e 1917. Foi cônsul na Suécia onde casou e onde viveu muito da sua vida.

Como pontelimense nunca esqueceu a sua terra e o rio Lima que tanto amou.

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sábado, 5 de julho de 2008

indefinição


Confronto-me com uma neblina profunda
E dela vejo surgir paisagens de mistério
Que crio em mente e movimento
Em danças macabras de fumos etéreos
De onde surgem gritos, apitos e um sem número
De saltos e pulos, de vida e morte
De fogos fátuos.

Dança-se e rodopia-se num ar de fumos
São figuras pouco nítidas que a imaginação povoa
E tenta levar-nos à imitação.
Elevam-se nessa neblina ondeante e
Crescente para entrar na dança sem música
Incompreensiva e pouco audível
Ou inexistente.

É a vida! De noções cada vez menos concretas
De adivinhação difícil, de sentido
Cada vez menos sentido, da dificuldade
De tudo em todos. Temos que decifrar o
Homem, afastando o nevoeiro em que ele
Cada vez mais está envolto
No que constrói.

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Tem hera


Tem hera
a folha em que te escrevo
sentido as linhas que descrevo
ânimo o branco desvirginado do papel
tem hera
a marca em que escreveste AMO
sentido a ternura despertada
amor o imaculado genético do ser
tem hera
e tem folhas verdes e tem cheiro
aquela madrugada que vivemos
em que fomos um só e tu primeiro
tem hera...
tem hera a vida que despertámos
em ti no teu pequenino ser
na vida enovelada do teu belo nascer.

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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Cântico Negro





CÂNTICO NEGRO


De: José Régio


"Vem por aqui" _ dizem-me alguns com os olhos doces


estendendo-me os braços, e seguros


de que seria bom que eu os ouvisse


quando me dizem: "Vem por aqui"!


Eu olho-os com olhos lassos,


(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)


e cruzo os braços,


E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:


Criar desumanidades!


Não acompanhar ninguém.


_ Que eu vivo com o mesmo sem vontade


Com que rasguei o ventre a minha Mãe.


Não, não vou por aí! Só vou por onde me


levam os meus próprios passos...


Se ao que busco saber nenhum de vós responde


porque me repetis: "vem por aqui"


................................................................................


...............................................................................


Ah! Que ninguém me dê piedosas intenções,


ninguém me peça definições!


Ninguém me diga: "vem por aqui"!


A minha vida é um vendaval que se soltou,


É uma onda que se alevantou,


É um átomo a mais que se animou...


Não sei por onde vou,


Não sei para onde vou,


Sei que não vou por aí!


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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Inatingível objectivo



INATINGÍVEL OBJECTIVO



Para me lembrar de ti, precisei de te esquecer.
Para te poder amar, foi preciso conhecer-te.
Para o mundo admirar, eu precisei de nascer.
Para na vida me encontrar, eu preciso de viver.
Para poder afirmar, aprendi a escrever.
Para te poder negar, tive que desconhecer.
E para tudo na vida, eu precisei de aprender.


Para conhecer a noite, tive que viver de dia.
P’ra poder cantarolar, inventei a melodia.
P’ra decifrar uma ave, dependurei-me num galho.
P’ra criança conhecer, procurei nela agasalho.
P’ra saber o que era o bem, tive que sofrer o mal.
P’ra viver de fantasia, conheci o que é real.
P’ra mostrar a minha vida, plantei uma árvore,
Escrevi um livro,
Mas não tive um filho.

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Fim de tarde

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Vivo aqui


VIVO AQUI
entre o céu e o mar e aquela nuvem terna
de algodão rosa feita onde
nenúfares faço com mistura de incenso
e perfumadas visitas de hibiscos hera e boganvílias
VIVO AQUI
e sinto todo o meu ser de gente altiva
entre o céu e o mar e aquela terna nuvem rosa
beijo ciúme abraço minutos e...
continuo aqui.

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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Dúvida









TRITONGO



De vogais, bonito conjugou
O feio misturou o raio
Com a ideia que justificou
Raia com meninos e jaia

Com peia ou teia neste conhecer.
No joio entendi pipiai
No bico deste pronto amanhecer
Onde o paiol diz: vigiai

A naiade fiou seus fios d’água.
Às fontes freio pôs e assim deixou
De peias teias sem váqua
Corrente de tritongos que pintou.

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quinta-feira, 1 de maio de 2008

namorados

Invento teu ser num despertar sentido
de ideias e imaginação
sacode-te o vento que te sopra alma
desgrenha-te o cabelo p'ró sentires melhor

e invento teu ser num baloiçar de coisas
que quase desimagino em ti
acordas como recomeçar sempre
e nunca e outra vez num suplício de
mim do meu do teu do nosso odor.



Pensamento do dia

"Se de ternura sei viver, porque espero para ser terno"

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